A hora e a vez do e-commerce - Empreenda revista Laravel

A hora e a vez do e-commerce

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Não é novidade pra ninguém e é praticamente chover no molhado dizer que neste momento onde o mundo está de cabeça para baixo, o comércio eletrônico está vivendo sua melhor fase dos últimos 10 anos.

 

Para quem me acompanha sabe que estamos inseridos neste segmento desde 2016 e confesso que nem mesmo os gurus mais otimistas iriam prever que neste momento onde o mundo parou o comércio eletrônico estaria vivendo seu melhor momento. Nos últimos 5 anos o varejo on-line vinha com um crescimento bem acima de outros setores, algo em torno de 18%, segundo dados da ABCOMM (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) mas nada comparado ao que estamos vivendo nos últimos 120 dias.

 

No momento que comecei a escrever sobre esta nova fase que o e-commerce vem vivendo eu não poderia deixar de olhar e trazer para vocês informações direto da fonte de segmentos que na minha visão são pilares essências e estratégicos do sucesso ou fracasso do comércio eletrônico: Logística, ERP (Enterprise Resource Planning) ou o bom e velho software de gestão, HUB’s, Meio de Pagamento e Plataformas.

 

Cito este pilares como estratégico pois só para contextualizar não há produto bonito, embalagem perfumada, lacinho de fita ou qualquer campanha de ADS que te ajude a conquistar clientes que pare de pé se qualquer um destes pilares falhar. Com isto não estou dizendo que se deva negligenciar a experiência do cliente quero apenas alertar que uma boa plataforma bem montada com fotos que vendem precisa ser pensada para integrar em todo ecossistema para que a experiência não seja frustrada para o empreendedor e para os clientes.

 

Em conversa com alguns amigos e parceiros que conquistei neste ecossistema trago aqui direto dos bastidores alguns números para que você possa ter dimensão real do crescimento do e-commerce neste momento.

 

Do lado da logística, na Soulog tivemos um crescimento superior a 300% no número de sellers buscando uma solução logística para atender todas a necessidade da operação (desde armazenamento a manuseio e redução de fretes), principalmente devido ao crescimento nas vendas que geraram um gargalo para o lojista online com a falta de mão de obra disponível neste período, como resultado disto a empresa teve um crescimento de 80% na carteira de clientes e os lojistas que apostaram na solução desde de 2019 para cá dobraram o volume de pedidos mensal, muitos com um crescimento acima de 250%.

Na outra ponta onde toda parte de gestão acontece, deste o recebimento dos pedidos até a geração de nota fiscal e integração com as transportadoras Sidney Zyngle, Sócio e Diretor de Marketing do ERP Bling diz que a busca por serviços da empresa apresentou um crescimento de 62% entre março e maio,  recorde histórico da companhia, que mesmo antes da pandemia já era o principal software utilizado por lojistas on-line.

 

Com as plataformas o número segue o mesmo cenário onde segundo Lara Colombo, Diretora de Marketing da Loja Integrada houve um grande crescimento no número de novos lojistas, mas tão importante quanto este fato ela ressalta o crescimento no volume de transações pela plataforma das lojas já existentes na base com um crescimento de mais de 150% comparado ao mesmo período no ano anterior. Já Alejandro Vazquez, CCO e Co-founder da Nuvemshop comenta que a empresa teve um crescimento de novos lojistas 4x superior ao inicio do ano. Já em relação as vendas dos sellers antigos na base teve um crescimento de 366% nas transações online comparado ao mesmo período do ano anterior.

 

Quando o assunto é estar conectado a multicanais de vendas Alessandro Silveira, CEO e Founder do Ideris , um dos principais HUB’s que conecta lojistas online a Marketplaces, me informou um crescimento de 41% pela busca da solução entre Abril e Junho deste ano, oque para bom entendedor mostra uma tendência dos sellers na busca da multicanalidade nas vendas, afinal estar nos principais marketplaces aumenta muito as possibilidades de venda com baixo ou nenhum investimento em ADS (publicidade).

 

E como quem compra tem que pagar, os meios de pagamento não poderiam ficar de fora, segundo Elvis Tinti, Diretor Executivo Comercial do PicPay, maior carteira digital brasileira a empresa teve um crescimento de 420% no volume de transações desde o inicio da pandemia, verificando uma grande migração do off-line para o online.

 

Talvez você esteja se perguntando “será que estes números irão se sustentar?”. Oque posso te dizer é que meu MBA em Futurologia e a minha Pós-Graduação em adivinhar estão pautados em duas vertentes sempre: Fatos e dados.

 

É um fato que milhões de pessoas foram obrigadas a consumir online e perceberam que não é um bicho de sete cabeças e isto claramente esta bem delineado acima nas informações sobre as soluções que atendem ao e-commerce especialmente quando falamos de plataformas e Logística, olhando os dados me baseio em uma compilação realizada pela Nielsen, Comscore, Global Web Index, Kantar e MindMiners onde foi pontuado que milhões de brasileiros compraram online pela vez neste mesmo período refletindo em uma parcela de 13% da população brasileira.

 

Estes dois tópicos acima me levam a um novo ponto, que amplia o entendimento sobre a diminuição da resistência da compra online e trazem mais clareza para uma tese de mudança de comportamento mais duradoura.  O e-commerce cresceu como um todo e isto é um fato incontestável, mas me chama atenção o crescimento de consumo de itens que não se enquadram em necessidades básicas em meio ao maior cenário de incerteza e possibilidade de desemprego. É importante observar o crescimento significativo dos segmentos de Casa e Decoração e Moda que ganharam ritmo nos últimos três meses e cresceram respectivamente 47,9% e 48,9% no período de pandemia comparado com o mesmo período do ano passado.

 

Finalizo te chamando atenção para um número e uma reflexão:

 

2020 será o ano onde o comércio eletrônico registrará um crescimento de no mínimo 45%, ultrapassando a casa de R$126 bilhões o maior crescimento da ultima década. Infelizmente talvez seja um ano onde muitos negócios não irão resistir, mas será também um ano onde muitos empreendedores precisam se reinventar. 2020 será um ano para testar nossa adaptabilidade onde ideias aparentemente simples e malucas fizeram surgir novos negócios que em poucos meses já atingiram faturamento de 1 milhão, eu pessoalmente conheço de perto casos assim de pessoas  que estavam a beira da falência e com uma ideia simples muita coragem e inovação fizeram mais de R$500 mil reais de faturamento mensal em uma empresa com menos de 60 dias. Mas empreender é isto muita força de vontade, paixão e coragem.

 

Jeff cadê a reflexão? Parafraseando Bill Gates “Em alguns anos vão existir dois tipos de empresas: as que fazem negócios pela Internet e as que estão fora dos negócios”. E você vai ficar de que lado?