5 níveis de fracasso

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Quando conversamos sobre fracasso no empreendedorismo, é comum alguém dizer que já fracassou. Porém, na maioria das vezes, o termo “fracasso” fica mal-empregado e vago por não deixar clara a ideia do que realmente ocorreu.

De acordo com nosso amigo dicionário Houaiss, a definição da palavra “fracasso” é:

1- som estrepitoso provocado pela queda ou destroçamento de algo; barulho; estrondo
Ex.: a casa desabou com um f. assustador

2- falta de êxito; malogro; derrota
Exs.: o empreendimento foi um f.
os muito ambiciosos custam a aceitar o f.

Devido a esse abismo etimológico, resolvi desenvolver os 5 níveis de fracasso, usando como base os 10 graus da escala Richter, medida que classifica a intensidade e a magnitude de um terremoto. Para fazer a analogia, utilizei o seguinte método: cada nível de fracasso corresponde a 2 graus da escala Richter.

A partir da definição da palavra, fica mais claro entender porque no nível 1 eu cito apenas falhas e erros, pois, apesar de serem inevitáveis, eles podem ser contornados com certa suavidade.

Nível 1 – Falhas e erros contornáveis.

Desses dois não existe escapatória. Por mais que as decisões sejam pautadas na racionalidade, nenhuma empresa está livre de errar e falhar. Geralmente não se sente, mas é detectado. Caiu em engano? A decisão se deu como errada? Ainda dá para corrigir e seguir em frente. É quando o dono de uma padaria, para se diferenciar da concorrência, resolve investir em um forno para fazer biscoito da sorte. Porém, seu público não adere à ideia. O dono cometeu um erro, mas que não comprometeu o negócio como um todo.

Nível 2 – Dinheiro mal aplicado.

Perdeu tudo o que investiu na empresa. Houve tremores, mas ainda saiu sem dívidas. É um alerta para pensar se continua ou não.

Nível 3 – Patrimônio perdido.

Perdeu tudo o que investiu na empresa e todas as suas economias e ainda vendeu seus bens pessoais para cobrir o rombo. Teve destroçamento, contraiu pequenas dívidas. Aqui se deve ter a decisão de fechar a empresa, mudar de ramo ou arrumar outra colocação.

Nível 4 – Quebrado e despedaçado.

Perdeu tudo o que investiu e tudo o que tinha, e ainda saiu devendo. Desesperador. Provoca danos graves e afeta toda a cadeia produtiva. Aqui se fica negativado. Caso seja pequena ou média empresa, deve-se pedir a recuperação judicial ou fechar a empresa de vez.

Nível 5 – Catastrófico e devastador.

Aqui é a devastação total. Apocalipse. Perdeu tudo o que investiu, perdeu também o dinheiro emprestado dos outros. Deve para banco, governo, funcionários e para toda a cadeia de valor. Apesar da chance de pedir recuperação judicial, é muito remota a sua recuperação. O mais provável é a falência. O fim.

Observe que me limitei ao abalo profissional e financeiro, não levando em conta os estragos na vida pessoal, pois nesse caso a escala deveria ir até 100.

Quero deixar claro, que não faço apologia ao fracasso. Não defendo que um empreendedor precise fracassar para fazer sucesso. Pelo menos, não acima do “Nível 2 de fracasso”, onde o baque é suficiente para rever seus conceitos de gestão.

Eu fracassei no “Nível 4”, e posso dizer com propriedade que os danos causados, me levaram a um atraso na minha vida de pelo menos 10 anos, que é o tempo que planejei para pagar todas as dívidas que envolveram minha quebra. Sem contar o desgaste físico e emocional.

Por não termos, ainda, cultura empreendedora no Brasil, quem fracassa não é visto com bons olhos pelo mercado, que vai fechando as portas que seriam necessárias para se dar a volta por cima.

Para não fracassar, atenha-se aos sinais que a empresa vai emitindo quase que imperceptivelmente. Fique atento para poder enxergar e antever as ações necessárias para corrigir a rota. Foque no seu principal talento. Exerça a sua capacidade empreendedora. Seja determinado.

Caso fracasse, analise em qual “Nível” você se encontra. Isso é importante porque você deverá fazer um planejamento para superar essa derrocada da maneira menos dolorosa possível e no prazo menos longo que sua força, coragem e vontade lhe permitem praticar.

Minicurrículo:

Leonardo de Matos

Palestrante de Vendas e Empreendedorismo

Autor do livro “QUEBREI – Guia Politicamente Incorreto do Empreendedorismo” (Alta Books);

Criador e Vendedor do Adubo Orgânico Bosta em Lata;

Vencedor do Prêmio: "O Melhor Vendedor do Brasil" de 2016;

Empreendedor no 1º episódio da 1ª temporada do programa Shark Tank Brasil – Negociando com Tubarões do Canal Sony e Band;

Coordenador da Pós-Graduação em Marketing na UNiRP;

Formado em Direito com MBA em Comunicação e Marketing.

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