O alto preço da superproteção

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A família é considerada a primeira experiência social e contribui de modo singular para o desenvolvimento humano, especialmente o desenvolvimento emocional, afetivo e social das crianças. As teorias psicológicas consideram a relação entre a criança e o meio ambiente como uma relação recíproca, assim como o comportamento dos pais afeta o comportamento e as habilidades da criança, o temperamento e o humor da criança podem afetar a qualidade de vida dos pais, não nascemos como uma folha em branco e possuímos uma herança genética que influencia diretamente na construção da personalidade, sendo assim, uma criança que interpreta o comportamento dos pais como rejeição ou superproteção, pode apresentar um risco muito maior de desenvolver algum tipo de comportamento de risco e até mesmo transtornos mentais conforme estudos apresentados nos EUA por Hayakawa, Giovanelli e Englund (2016). O estudo ainda constatou que o estilo de relacionamento entre pais e filhos que se baseiam na combinação de intimidade, respeito mútuo, participação ativa da criança em questões relevantes e cumprimento de normas e regulamentos estabelecidos em conjunto, protegem a criança contra diversos problemas comportamentais, transtornos e vícios. O resultado desse sistema de educação resulta na melhor obediência aos pais, menos irritabilidade em resposta à frustração e maior inibição dos comportamentos indesejáveis, além disso, essas crianças tiveram melhores habilidades de resolução de problemas e maior competência no planejamento de metas.

Você é mãe/pai/cuidador? No dia a dia, você tem preocupação exagerada com coisas simples, tem medo exacerbado de que os filhos se machuquem enquanto brincam? Ou possui extrema preocupação em saber o que as crianças estão fazendo? Quer resolver todos os probleminhas dos seus filhos? Você faz tudo, tudo pelo filhinho? Procurar um brinquedo, dar comidinha da boca, ou fazer a lição de casa ou proibir a participação em eventos que os pais não participarão?

Crianças superprotegidas pagam um alto preço! Apresentam insegurança, dependência emocional, necessidade de aprovação, baixa autoestima e sensação de que nada podem fazer sozinhas. São crianças que apresentam certa dificuldade em desenvolver auto aprendizado, isto é, revelam sérias resistências em aprender a fazer as coisas por si só, pois os próprios pais ou cuidadores reforçaram o comportamento de que o outro sempre fará tudo por elas, desta forma, quando precisam lidar com um probleminha do cotidiano, não sabem como resolvê-los, apresentam enorme dificuldade em se relacionar com grupos, sem contar que necessitam de aprovação de alguém para se sentirem valorizadas e com auto estima elevada.

Mas isso é apenas o começo, imagine tudo isso somado ao mundo novo que vivemos, a tecnologia se tornou parte essencial de nossas vidas e estão causando sérias mudanças nos hábitos e comportamentos diários de todas as pessoas. Crianças e adolescentes que nasceram num mundo altamente tecnológico, dinâmico, veloz, mas que ainda continuam recém nascidos no campo das emoções, carentes de aprovação que tendem a distanciam-se da realidade social que muitas vezes é dura, e se refugiam em atividades virtuais (celular, computador, jogos, vídeo game, redes sociais, aplicativos...). Assim, ao invés de encarar os relacionamentos reais, passam a relacionar-se apenas virtualmente. Crianças superprotegidas se tornam adultos infantilizados no campo das emoções, começam nas brincadeiras de criança e chegam até a idade adulta, nos relacionamentos, no trabalho, na sociedade, na vida. Esses comportamentos limitantes então tendem a estender-se para a vida adulta promovendo individualismo, egoísmo, ansiedade e frustração.

Diversos professores e coordenadores pedagógicos que atendo, queixam-se de pais que acreditam que seus filhos estão sempre certos e quem está errado é a professora, a escola, a coordenação, o psicólogo escolar que permitiram que seus filhos tivessem uma nota baixa ou identificaram uma questão comportamental a ser trabalhada. Isso pode ser entendido como um exemplo de superproteção? Sim, pode ser um exemplo. Comportamentos como este, é prejudicial sim, tanto para os filhos, quanto para os pais. A insegurança, a dependência emocional e o sentimento de inferioridade afloram nas crianças, bem como, resultarão em comportamentos nocivos que afetarão os pais que criam uma grande expectativa em relação aos filhos e desta maneira, permanecem mais propensos a decepção e sentimento de desolação quando o filho comete um erro ou comportamento inesperado.

Os filhos se tornam dependentes dos pais e os pais desenvolvem um sentimento de dependência dos filhos e chegam até a apresentar picos de sofrimento quando os filhos saem de casa, sintoma essa conhecida no contexto psicoterapêutico como “Síndrome do Ninho Vazio”.

Cuidadores, pais e mães que agem como superprotetores se beneficiam de algum tipo de direcionamento terapêutico para perceberem os reais motivos da superproteção, quando e por que começaram esse processo limitante. Poderão trabalhar questões como ansiedade, culpa, medo e questões não conscientes da superproteção e com isso, terão consciência que a melhor saída é amar e proteger seus filhos sem sufocá-los. Pais equipados com essa habilidade são mais bem sucedidos na educação positiva e efetiva de seus filhos, e os filhos, se tornarão indivíduos realizados que possuem pensamentos mais funcionais, melhor tomada de decisão e resolução de problemas em relação aos desafios do cotidiano e poderão resolver seus problemas diários com afirmação e autocontrole. Richard Bandler diz: Por que continuar sendo a mesma pessoa de sempre se podemos ser alguém muito melhor? Bora progredir nessa jornada? Bora melhorar sempre! Siga em frente e seja no mínimo, muito feliz.