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10 desafios na gestão do Terceiro Setor

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A gestão do Terceiro Setor, composto por organizações não governamentais (ONGs), fundações, associações e outras entidades sem fins lucrativos, apresenta uma série de desafios que precisam ser enfrentados para garantir sua eficácia e sustentabilidade. Para falar mais sobre o tema, o especialista em Gestão e Empreendedorismo com mais de 15 anos de experiência no Terceiro Setor, Ewerson Steigleder, listou 10 dos principais pontos de dificuldade enfrentados por essas organizações. Confira:

  1. Captação de recursos: A busca por financiamento é um dos maiores desafios. Muitas organizações dependem de doações, subsídios e patrocínios, que podem ser instáveis e competitivos. A diversificação das fontes de receita é essencial, mas muitas vezes difícil de implementar. Por esta razão a conquista e manutenção de parceirias sólidas e duráveis é uma estratégia bem-vinda e altamente recomendável.
  2. Gestão financeira: A transparência e a responsabilidade financeira são cruciais, mas muitas organizações enfrentam dificuldades para manter registros contábeis adequados, elaborar orçamentos realistas e garantir a prestação de contas aos financiadores é essencial. Como normalmente as ONGs trabalham com grandes grupos de comando, como Assembleias Deliberativas e Conselhos de Administração que representam muitos membros, a transparência, lizura e clareza nas prestações de contas é fator fundamental, dentro de um ambiente de gestão responsável.
  3. Planejamento estratégico: A falta de um planejamento estratégico claro pode levar a uma execução ineficaz das atividades. Muitas organizações carecem de uma visão de longo prazo e de metas bem definidas, o que dificulta a medição do impacto social. Assim a gestão profissional é um fator indispensável, a fim de que o gestor seja cumpridor de planos e projetos que chamamos de Business Plan.
  4. Capacitação e formação de equipes: A formação e a retenção de pessoal qualificado podem ser desafiadoras. Muitos profissionais do terceiro setor trabalham com baixos salários e sobrecarga de responsabilidades, afetando a qualidade do trabalho realizado. Esse é um desafio constante, visto que em grande parte as entidades do Terceiro Setor não dispõem de grandes caixas. Por outro lado, muitas vezes seus gestores têm vínculos afetivos com a entidade e acabam realizando trabalhos vitais com salários abaixo do mercado.
  5. Governança e gestão: A estrutura de governança pode ser um obstáculo, especialmente em organizações com baixa formalização. A falta de uma gestão eficaz pode resultar em conflitos de interesse, falta de transparência e má tomada de decisões. Normalmente as diretorias são passageiras, com mandatos finitos, o que exige do gestor um alto nível de tolerância e adaptação a novas métricas, gerando desgastes justamente por este alto nível de adaptabilidade a novas realidades.
  6. Avaliação de impacto: Medir o impacto das atividades é essencial para a legitimidade das organizações, mas muitas vezes esse ponto é negligenciado. A falta de metodologias adequadas e recursos pode dificultar a avaliação. Isso acontece normalmente em função da falta de profissionalismo dos gestores por conveniência. – Ah, vamos contratar fulano porque o custo é menor! Mas os resultados também serão.
  7. Relacionamento com stakeholders: A construção de parcerias e redes de colaboração pode ser um desafio, especialmente em um ambiente onde a busca por recursos é intensa. A capacidade de engajar voluntários, doadores e a comunidade é crucial. Aqui entramos no circuito do chamado “networking”. Possuir uma boa rede de contatos e um alto nível de relacionamento nos diversos setores da sociedade pode ser um grande diferencial. Muitas vezes determinante.
  8. Mudanças legais e regulatórias: O terceiro setor está sujeito a uma série de leis e regulamentos que estão em constante mudança. A adaptação a novas legislações pode ser complexa e consumir tempo e recursos valiosos. Este ponto independe da vontade do gestor, por isso o conhecimento da documentação pertinente, da legislação atualizada e a habilidade de adaptação, novamente, são fatores fundamentais para uma gestão eficaz.
  9. Sustentabilidade a longo prazo: Garantir a continuidade das atividades e a sustentabilidade das organizações é um desafio contínuo, exigindo inovação e adaptação às necessidades da sociedade. Novamente vemos a dificuldade na troca de governança constante. Novos projetos e novas ideis sempre farão parte das características de cada grupo de comando, e fazem parte da gestão no Terceiro Setor; porém a necessidade da manutenção de projetos a longo prazo, acordos realizados no passado, mas ainda em vigor, é crucial para a credibilidade na instituição.
  10. Comunicação e visibilidade: A dificuldade em comunicar o trabalho realizado e os resultados obtidos pode limitar a captação de recursos e o engajamento da comunidade. A criação de uma identidade de marca sólida e a presença nas mídias sociais são cada vez mais importantes.

Em resumo, a gestão do terceiro setor enfrenta diversos desafios que requerem habilidades específicas, inovação, e um compromisso contínuo com a transparência e a eficácia. “Organizações que conseguem navegar por esses obstáculos não apenas sobrevivem, mas prosperam, contribuindo de forma significativa para o bem-estar social.”, conclui Steigleder.

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